Composto orgânico de lixo
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O material melhora as características do solo e reduz os impactos ambientais

Nem tudo jogado no lixo é sem utilidade. Materiais como plástico e papel podem ser reaproveitados com a coleta seletiva. Já resíduos orgânicos, como restos de alimentos, se passarem pelo processo de compostagem, são transformados em composto — produto usado como adubo na agricultura, no reflorestamento e em pesquisa, entre outras destinações.

De janeiro a agosto deste ano, o SLU (Serviço de Limpeza Urbana) estima que 15.521,303 toneladas de composto orgânico de lixo foram produzidas a partir de resíduos sólidos da coleta convencional.

— Além de melhorar a estrutura do solo, o composto tem várias fontes de minerais necessários para o bom desenvolvimento das plantas. O processo também permite que o lixo volte para a natureza em forma de adubo, em vez de acarretar impacto ambiental — explica o gerente da Emater-DF (Agroecologia e Meio Ambiente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal), Marcos de Lara Maia.

Venda ou doação

Nos primeiros oito meses do ano, 463,10 toneladas do material feito na usina do SLU foram vendidas e 1.347,23 doadas — essas são as duas formas pelas quais se pode obter o composto. O que sobrou foi armazenado e sai de acordo com a demanda, que, segundo o SLU, é baixa.

Têm direito ao material de forma gratuita, no limite de até 90 toneladas por ano, produtores rurais que apresentem declaração de aptidão ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), do governo federal, ou carteira de produtor familiar emitida pela Emater-DF. Florismar Gomes, de 48 anos, é uma das agricultoras que usam o produto no DF. Ela cultiva alimentos como alface e cebolinha no Núcleo Rural Monjolo, no Recanto das Emas.

Entidades cadastradas na Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural que tenham a declaração jurídica de aptidão ao Pronaf e órgãos e empresas públicas da União e do DF podem receber no máximo 800 toneladas anuais.

Também têm gratuidade, até 50 toneladas por ano, associações ou instituições dos municípios da Ride (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno) que comprovem, mediante estatuto registrado em cartório, a condição de filantropia. O mesmo limite do composto é permitido a estabelecimentos de ensino da rede pública do DF.

No caso da compra, a quantidade está limitada a 2 mil toneladas por ano para produtores rurais que não se encaixam nos requisitos da gratuidade e a 500 toneladas anuais para os demais interessados. O valor atual da tonelada é de R$ 20. Até 31 de dezembro deste ano, os produtores rurais terão desconto de 60% desse valor, que passa a ser de R$ 8. O diretor-técnico do SLU, Paulo Celso dos Reis, explica que houve uma queda no valor do material.

— Fizemos um desconto no preço para o pátio ser esvaziado, para que haja melhor flexibilidade operacional nas áreas.

Como pedir

O interessado deve procurar um profissional habilitado — engenheiro agrônomo, florestal ou técnico agrícola — para obter recomendação técnica que libere o uso do material. O documento, que será solicitado para agendar, pagar e retirar o composto, deve ser emitido em quatro vias, que ficarão com o responsável técnico, com a Secretaria de Agricultura, com o SLU e com o responsável pela produção.

O profissional pode ser particular ou da Emater-DF. No segundo caso, basta ir ao escritório da empresa mais próximo ou ligar e agendar uma visita técnica. Os endereços e telefones estão disponíveis no site da empresa pública.

Com a recomendação em mãos, deve-se agendar a retirada do composto. O agendamento pode ser pessoalmente, na Usina de Triagem e Compostagem de Ceilândia (Área Especial 28, Setor P Sul) ou pelo número 3376-1043. Nos casos de compra, antes do agendamento é preciso comparecer à tesouraria do SLU (Edifício Venâncio 2000, Bloco B-50, 9º andar, Sala 8) e fazer o pagamento.

O prazo para retirada é de 90 dias, a contar da data de compra ou doação. Cabe ao SLU providenciar o carregamento do composto no veículo. Já o transporte fica a cargo de quem o adquire.

Produção

No Distrito Federal, existem duas usinas de triagem e compostagem: uma na Asa Sul e outra em Ceilândia, no P Sul. No Plano Piloto, é feita parte do processo, finalizado nos pátios de Ceilândia, onde está concentrado o sistema de compostagem.

Todo o trabalho envolve triagem manual e mecânica, que separa materiais orgânicos de não orgânicos. Também há um eletroímã, que atrai objetos de metal, como latas e pedaços de ferro, passíveis de reciclagem. O que não serve para a compostagem e não pode ser reciclado (como papel higiênico e fraldas) é considerado rejeito e posteriormente levado ao aterro controlado do Jóquei.

Esse processo de compostagem dura três meses. Após esse período, amostras são coletadas e enviadas para análise. Apenas ao atender aos parâmetros de qualidade estabelecidos na Resolução nº 1, o produto está pronto para ser distribuído.

Fonte: R7